Foi aprovado o regime de urgência para um projeto que limita drasticamente a atuação de órgãos como o Ibama. Na prática, a proposta impede que áreas desmatadas ilegalmente sejam embargadas quando a infração for identificada por imagens de satélite ou outras tecnologias remotas, justamente os instrumentos mais modernos e eficientes que temos hoje para monitorar crimes ambientais em larga escala.
Em vez de permitir ações rápidas para conter o dano, o texto cria barreiras: exige notificação prévia, abre margem para contestação antes de qualquer medida e, com isso, transforma o combate ao desmatamento em um processo lento, burocrático e facilmente manipulável por quem desmata.
Estamos falando de um retrocesso grave.
Num momento em que a crise climática já mostra seus efeitos de forma cada vez mais intensa, o Brasil, que deveria liderar a proteção de seus biomas, caminha na direção oposta.
A justificativa de que o monitoramento remoto pode gerar erros não se sustenta diante dos avanços tecnológicos e do histórico recente, que mostra exatamente o contrário: foi graças a essas ferramentas que o país conseguiu identificar e agir sobre grandes áreas desmatadas, muitas vezes inacessíveis por fiscalização presencial.
Ou seja, criação de obstáculos para quem fiscaliza e facilidades para quem destrói.
É impossível não questionar: a quem interessa dificultar o combate ao desmatamento?
Esse tipo de medida expõe, mais uma vez, o distanciamento de GRANDE parte dos representantes políticos em relação à realidade ambiental do país e à urgência do que estamos vivendo.

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